segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Balanço de Fevereiro 2011

Mais um mês finalizado, definitivamente Fevereiro não é um dos melhores pra mim :), praticamente 2 semanas de viagem fizeram a quilometragem mensal cair. Segunda-Feira é um ótimo dia para promessas, "Prometo que próximo mês vou treinar mais sério", pois ele será decisivo para definir se irei mesmo pra Meia de Fortaleza 17 de Abril, acho que da tempo.

Nessa semana fui apresentado a um texto bem interessante sobre os corredores, pra começar pelo título, "Esses loucos que correm", acho que o autor conseguiu expressar bem o esteriótipo dos corredores... leiam e se encaixe no texto. :)

Esses Loucos que Correm

Eu os conheço. Tenho visto muitas vezes.
Alguns saem de madrugada e se esforçam para bater o sol.
Outros ao meio-dia, cansados, à noite tentam não ser atropelado por um caminhão.
Eles são loucos.
No verão, correm, suam, desidratados e, finalmente, ficam cansados … só para desfrutar o resto.
No inverno usam agasalhos, reclamam, sentem frio e deixam que a chuva molhe as suas faces.
Eu já vi.
Passam rapidamente ao longo da avenida, lentamente por entre as árvores, estradas sinuosas de terra, subida íngreme na calçada, desviam das ondas na praia, atravessam pontes de madeira, pisando em folhas secas, subindo montes, pulando poças, ventos laterais, se preocupam com os carros que não param, fogem de um cão e correm, correm e correm.
Ouvem a música que acompanha o ritmo de seus pés, escutam os padeiros e os pássaros, ouvindo seu batimento cardíaco e sua respiração, olham em frente, olham para os pés, sentem o cheiro do vento que passa por entre as árvores, a brisa, respiram o ar que vem dos pinheiros e entreparam ao passar pelos jardins.
Eu já vi.
Eles não estão bem da cabeça.
Eles usam tênis de marca, correm descalços ou usam sapatos. Transpiram a camisa, o boné e o tênis e novamente medem o seu próprio tempo.
Eles estão tentando ganhar de alguém.
Trotam com o corpo solto, procuram por uma torneira para se refrescar … Fazem parte de todas as competições … mas não ganham nenhuma.
Se preparam para correr a noite, sonham que são corredores e pela manhã acordam como crianças em dia de festa.
Eles preparam a roupa e a deixam em uma cadeira, como fizeram na sua infância, no início das aulas.
No dia antes da corrida comem macarrão e não bebem álcool, mas se premiam com bebidas e churrasco quando a competição termina.
Eu nunca poderia calcular a idade, mas provavelmente entre 15 e 85 anos.
São homens e mulheres.
Não estão bem.
Inscrevem-se em corridas de cinco ou vinte km e já sabem que não podem vencer, mesmo que todos os outros corredores desistam.
Ficam ansiosos em toda largada e alguns minutos antes do início precisam ir ao banheiro.
Ajustam seu cronômetro e tentam localizar os quatro ou cinco que precisam ultrapassar.
São suas referências de raça: “Cinco que são como eu.”
Passar de um deles será o suficiente para dormir à noite com um sorriso.
Adoram quando ultrapassam outro corredor … mas o encoraja e lhe diz que falta pouco e pede para não desistir.
Perguntam pelo posto de hidratação e ficam irritados porque não aparece.
Eles são loucos, sabem que em suas casas têm a água que eles querem, sem esperar pela entrega de um menino que levanta um copo à medida que passam.
Eles reclamam do sol de matar ou da chuva que não os deixa enxergar bem.
Estão mal, eles sabem que ali perto tem a sombra de uma árvore ou o resguardo de um beiral.
Eles têm todas as desculpas para o momento em que querem atingir a meta… faz parte deles.
Contra o vento, não corre uma gota de ar, sapatos novos, erros nas medidas do percurso, os que largam caminhando adiante e não te deixam passar, o aniversário que fomos ontem à noite, o incômodo da costura da meia sobre o pé direito, o joelho que voltou a incomodar, começou em ritmo muito rápido, nada de água, antes de largar ia comer algo mas não o fez.
Eles gostam de fotografia, gostam de correr e quando eles chegam levantam os braços e dizem que foram bem sucedidos.
O que ganhou de novo!
Eles não percebem que se perderam entre cem ou mil pessoas … mas insistem que voltaram a ganhar.
São loucos. Inventam uma meta em cada corrida.
Ganha mesmo quem apenas olha para eles da calçada, aqueles que olham na TV e aqueles que nem sequer sabem que existem loucos hoje em dia.
Nós lhes apertamos as mãos quando vestem a roupa e colocam o número de peito simplesmente porque eles não estão bem.
Eu já vi isso acontecer.
Sentem dores nas pernas, têm dificuldade de respirar, sentem dor nas costas … mas ainda assim seguem.
À medida que avançam na corrida os músculos sofrem mais e mais, o rosto se desfigura, o suor escorrendo pelo rosto, as pontadas começam a se repetir e dois quilômetros antes da chegada começam a se perguntar o que eles estão fazendo lá.
Por que não ser um dos sábios que batem palmas na calçada?
Eles são loucos. Eu os conheço bem.
Quando chegam abraçam sua esposa ou seu marido que dissimulam a puro amor o suor no rosto e no corpo.
À espera, seus filhos e um neto ou mesmo um avô grita quando eles cruzam a linha de chegada.
Levam um cartaz na frente que diz “Cheguei – missão cumprida”.
Apenas bebem água e molham a cabeça, se jogam na grama para se recuperar, mas se levantam em seguida para saudar aqueles que chegaram antes.
Voltam a deitar, mas levantam e voltam a cumprimentar aqueles que virão depois deles.
Tentam puxar uma parede com as duas mãos, levantam a perna e seguram o tornozelo, abraçam outro louco que chega mais suado do que eles.
Tenho visto muitas vezes. Eles são doentes da cabeça.
Eles olham com carinho e sem piedade o que chega dez minutos depois, respeitam o último e o penúltimo, porque eles dizem que são respeitados pelo primeiro e segundo.
Aproveitam os aplausos, mesmo que venha encerrando a corrida, ganhando apenas de uma ambulância ou de uma moto.
São agrupados em equipes e viajam 200 km para correr 10.
Compram todas as fotos que lhes tiram e não percebem que são iguais às da corrida anterior.
Suas medalhas ficam penduradas pela casa para que a visita possa vê-las e tenha que perguntar.
Eles estão errados.
“Esta é a do mês passado, por exemplo, tentando usar seu tom mais humilde.
“Esta é a primeira que ganhei, dizem eles, deixam de relatar que todos ganharam, incluindo os últimos a chegar e o inspetor de trânsito.
Dois dias depois da corrida e muito cedo já estão pulando poça, escalando as cordas, acenando ritmicamente ciclistas, batendo as palmas das mãos dos colegas que se cruzam.
Eles dizem que poucas pessoas hoje em dia são capazes de ficar sozinho consigo mesmo, uma hora por dia. Os pescadores, nadadores e alguns mais. Dizem que as pessoas não agüentam tanto silêncio.
Eles dizem que desfrutam do silêncio. Eles dizem que fazem projetos e fazem balanços, que se arrependem e se parabenizam, se questionam, preparam seus dias enquanto correm e falam sem medo consigo mesmo.
Eles dizem que o resto busca desculpas para estar sempre acompanhado.
Eles estão doentes da cabeça.
Eu já vi.
Alguns apenas caminham … mas um dia … quando ninguém está olhando, criam coragem e correm um pouco.
Em poucos meses começará a ser tão louco quanto eles.
Estiram, se olham, giram, respiram, suspiram e se deitam.
Correm, freiam e voltam a correr.
Eu acho que eles querem vencer a morte.
Eles dizem que querem ganhar a vida.
Eles estão completamente loucos.
Marciano Durán
Marzo 2008



Data Local Distância Tempo - Fevereiro / 2011
28/02/2011 - Beira Mar - 8 Km
23/02/2011 - Beira Mar - 9 Km
21/02/2011 - Beira Mar - 7,5 Km
19/02/2011 - Thermas Mossoró - 7,5 Km
12/02/2011 - Washington Soares - 13 Km
07/02/2011 - Beira Mar - 5 Km
06/02/2011 - Raul Lopes - 8 Km
04/02/2011 - Beira Mar - 8 Km

Acumulado do Mês - Fevereiro/2011: 66 Km

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